ELEIÇÕES: Grupo de advogados de direita articula rede de 9 mil voluntários para fiscalizar o segundo turno
Movimento voluntário estruturou central de relatos e treinamento regional, mas aguarda liberação de procurações oficiais pela cúpula do Partido Liberal para atuar nas seções eleitorais

BRÁSÍLIA — O movimento Advogados de Direita Brasil concluiu o mapeamento e o cadastro de mais de 9 mil profissionais do Direito interessados em atuar de forma voluntária e gratuita no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 25 de outubro. A mobilização nacional da categoria, contudo, ainda esbarra em trâmites burocráticos e partidários. Para atuar de forma legal e coordenada dentro das zonas de votação, o grupo depende do aval formal da direção nacional do Partido Liberal (PL), legenda que abriga a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
A articulação começou a ganhar corpo logo após o encerramento do primeiro turno. Segundo a coordenadora nacional do movimento, Géssica Araújo, a proposta é pulverizar os defensores pelas seções eleitorais de diferentes estados — com atenção especial a colégios eleitorais estratégicos e regiões de maior polarização, como o Nordeste — para dar suporte jurídico instantâneo a delegados de partido e fiscais de mesa. O escopo de atuação prometido pela entidade prevê treinamentos técnicos prévios sobre a legislação eleitoral vigente e uma central unificada para centralizar denúncias e relatórios em tempo real no dia do pleito.
"Queremos advogados mobilizados em cada estado, preparados para contribuir voluntariamente com a fiscalização do processo eleitoral", afirmou a coordenação em declarações recentes à imprensa especializada. No entanto, para que o contingente de voluntários possa assinar impugnações de ata ou apresentar protestos formais diante das mesas receptoras de votos, a legislação exige o credenciamento partidário oficial, que é viabilizado por meio de procurações outorgadas pela sigla.
O posicionamento partidário
A cúpula do Partido Liberal tem adotado cautela em relação à incorporação imediata do bloco independente de advogados. Interlocutores da legenda apontam que o partido já dispõe de um planejamento próprio e centralizado de fiscalização, operado por meio de uma plataforma digital específica para o recrutamento, orientação e distribuição de seus próprios fiscais eleitorais nas seções.
A expectativa dos líderes do movimento de juristas é que uma reunião com a Executiva do PL formalize os termos da cooperação nos próximos dias. Caso o entendimento não seja selado a tempo, o contingente de voluntários poderá atuar apenas de forma externa ou sob as regras gerais de fiscalização abertas a qualquer cidadão no encerramento das urnas, sem as prerrogativas jurídicas exclusivas asseguradas aos delegados credenciados pelas coligações partidárias.





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