Maioria dos maiores doadores de Lula ocupa cargos no governo, aponta levantamento
Levantamento da Folha identificou 57 servidores e dirigentes entre os 76 maiores contribuintes diretos da campanha petista

Um levantamento realizado a partir das prestações de contas da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) identificou que a maior parte dos maiores doadores pessoa física possui vínculo com a estrutura do governo federal ou com empresas estatais. Segundo os dados obtidos pela Folha, 57 dos 76 contribuintes que fizeram doações diretas de pelo menos R$ 2,5 mil à campanha ocupam cargos na administração pública ou em companhias controladas pela União.
As contribuições desse grupo somam cerca de R$ 425 mil, valor composto por transferências financeiras e prestação de serviços declarados à Justiça Eleitoral. Embora a quantia represente uma parcela reduzida do total arrecadado pela campanha, ela supera os recursos obtidos por meio de financiamento coletivo no mesmo período analisado.
Entre os doadores identificados estão ministros de Estado, secretários, assessores, diretores e dirigentes de empresas estatais. O levantamento também apontou que parte desses contribuintes acumula funções em conselhos de administração de empresas públicas, atividades remuneradas por meio dos chamados jetons.
De acordo com especialistas em direito eleitoral ouvidos pela imprensa, a realização de doações por ocupantes de cargos públicos não configura irregularidade, desde que ocorra de forma espontânea e sem qualquer tipo de pressão ou constrangimento. A legislação permite que cidadãos façam contribuições para campanhas políticas dentro dos limites estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
A campanha do presidente Lula negou ter promovido qualquer mobilização institucional para arrecadar recursos entre integrantes do governo. Em nota, afirmou que as contribuições ocorreram de maneira voluntária e individual, respeitando os parâmetros legais. Ministérios e órgãos mencionados nas reportagens também negaram ter orientado servidores ou dirigentes a realizar doações.
Apesar da legalidade das contribuições, a concentração de doadores ligados à máquina pública tende a alimentar discussões sobre transparência, influência política e os limites da mobilização partidária dentro da administração federal.





Comentários