ALERTA: Moraes recebe cúpula da PF em reunião fora da agenda
Ministro do STF se reuniu com diretor-geral da PF, chefe de Inteligência e delegado da corporação

BRASÍLIA — Uma reunião realizada sem registro na agenda oficial do Supremo Tribunal Federal (STF) colocou novamente sob os holofotes a relação entre integrantes da cúpula da Polícia Federal (PF) e o ministro do STF, Alexandre de Moraes. O encontro ocorreu no gabinete do magistrado e contou com a presença do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa, e do delegado Denis de Carli. Nem o Supremo nem a Polícia Federal divulgaram o conteúdo da conversa. A ausência de informações oficiais sobre a pauta chamou atenção porque a reunião acontece em um momento de forte tensão institucional envolvendo integrantes da PF e ministros da Suprema Corte. Nas últimas semanas, vieram à tona questionamentos sobre a elaboração de relatórios de inteligência da corporação que teriam sido utilizados em procedimentos relacionados ao ministro André Mendonça. O diretor-geral da PF e o chefe de Inteligência chegaram a ser afastados preventivamente de suas funções por decisão de Mendonça, em razão de suspeitas relacionadas à produção de documentos considerados irregulares por críticos da medida. A decisão, no entanto, foi revertida posteriormente pelo ministro Flávio Dino, permitindo o retorno de ambos aos cargos. Em sua defesa perante o STF, Andrei Rodrigues sustentou que os relatórios de inteligência foram produzidos dentro das atribuições legais da corporação e afirmou que o compartilhamento de um dos documentos ocorreu por determinação expressa de Alexandre de Moraes. O diretor-geral negou a existência de monitoramento ilegal contra ministros da Corte. A reunião também ocorre em meio ao debate sobre o uso de relatórios de inteligência em procedimentos judiciais. Especialistas e representantes da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal já manifestaram preocupação com a circulação desses documentos fora dos canais internos da corporação, argumentando que materiais dessa natureza possuem caráter analítico e, em regra, não são produzidos com finalidade probatória. Sem nota oficial explicando o conteúdo discutido no encontro, a reunião alimentou especulações nos bastidores de Brasília e ampliou a pressão por transparência sobre os contatos entre integrantes da cúpula da Polícia Federal e autoridades do Supremo. Até o momento, não há informação pública sobre eventuais deliberações, pedidos ou encaminhamentos decorrentes da conversa.





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