ALERTA: Registros do Planalto colocam empresário e suposto operador de propinas lado a lado na portaria
Dados de acesso da Presidência confirmam que Daniel Vorcaro e o lobista Júlio Cezar entraram juntos na sede do Executivo no mesmo minuto, reforçando relatos de ofensiva por fundos de pensão

BRASÍLIA — Os registros oficiais de controle de acesso do Palácio do Planalto trouxeram novos elementos para o centro das discussões sobre as supostas negociações envolvendo fundos de pensão estatais. De acordo com dados obtidos pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e divulgados pela imprensa, o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o consultor Júlio Cezar deram entrada juntos na portaria da sede do governo federal. O relógio marcava exatamente 14h33 do dia 1º de março de 2024 quando ambos passaram pela segurança.
O cruzamento desses dados com arquivos extraídos de telefones celulares reconstrói o passo a passo daquela tarde. Pouco antes de se deslocarem até o Planalto, os dois haviam se encontrado na sede do Postalis, o fundo de pensão dos funcionários dos Correios. Mensagens obtidas por investigadores mostram o lobista avisando o banqueiro sobre sua chegada ao local. Na sequência, partiram para a agenda no palácio presidencial, onde Vorcaro alega ter se reunido com integrantes do primeiro escalão. A apuração jornalística da Revista Veja aponta que este não foi um evento isolado: os registros da Presidência indicam um segundo acesso conjunto da dupla no dia 3 de abril do mesmo ano, às 17h29.
A rota dos bilhões nos fundos estatais
As visitas ganharam peso após virem a público os anexos de uma proposta de delação premiada apresentada pela defesa de Vorcaro. Embora o acordo tenha sido formalmente rejeitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pela Polícia Federal por falta de provas conclusivas, os relatos detalham o que seria uma ousada engrenagem de lobby.
Segundo o empresário, Júlio Cezar atuava como o interlocutor e operador do grupo político ligado ao ministro Alexandre Padilha. O plano consistia em abrir as portas de gigantes como Previ, Petros e Postalis para receber aportes bilionários em títulos do Banco Master. Em troca da facilitação dos investimentos — que pretendiam alcançar a cifra de R$ 10 bilhões —, o grupo supostamente cobraria uma comissão de 10% em propinas. Vorcaro afirma, inclusive, ter feito um adiantamento em dinheiro de R$ 500 mil disfarçado por um contrato fictício de prestação de serviços.
As tratativas teriam avançado ao longo do primeiro semestre de 2024, mas sofreram um freio abrupto em julho. Na ocasião, reportagens do jornal O Globo revelaram o afastamento de gestores da Caixa Asset que haviam assinado pareceres contrários a investimentos na mesma instituição financeira. Diante da exposição na mídia, os dirigentes das fundações e os articuladores teriam optado por recuar e congelar as operações.
O outro lado
Diante da repercussão do caso, as reações foram imediatas. O ministro Alexandre Padilha e seu ex-secretário-executivo, Olavo Noleto, emitiram notas oficiais rechaçando veementemente as acusações. Ambos classificaram as declarações do banqueiro como falsas e negaram qualquer tipo de envolvimento em práticas ilícitas ou ingerência na gestão de fundos de pensão. Paralelamente, a Polícia Federal reiterou publicamente que o material apresentado no escopo da delação recusada não trazia elementos capazes de sustentar a abertura de um inquérito formal baseado apenas nos depoimentos. Procurado de forma insistente por veículos de imprensa, Júlio Cezar preferiu não retornar as ligações nem responder às mensagens enviadas.





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