Conselho do MPF agenda sessão para analisar menções a Gonet em mensagens de Daniel Vorcaro
Colegiado discutirá no dia 25 de setembro se referências ao procurador-geral da República comprometem sua atuação em investigações relacionadas ao caso Banco Master

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) marcou para o próximo dia 25 de setembro a sessão que irá analisar as referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, encontradas em mensagens atribuídas ao empresário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no âmbito da Operação Compliance Zero. A discussão surgiu após a divulgação de relatórios da Polícia Federal que identificaram citações ao chefe do Ministério Público em conversas recuperadas do celular do empresário.
O procedimento foi aberto após representação apresentada por parlamentares do partido Novo, que questionam a participação de Gonet em apurações relacionadas ao antigo Banco Master. O caso está sob relatoria do subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino e será examinado pelo colegiado responsável por analisar questões administrativas e institucionais envolvendo integrantes da cúpula do MPF.
Segundo informações constantes dos relatórios policiais, mensagens atribuídas a Vorcaro mencionam Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em diálogos que passaram a integrar a investigação. A análise do Conselho buscará avaliar se essas referências podem suscitar questionamentos sobre a imparcialidade do procurador-geral na condução de procedimentos relacionados ao caso.
Em manifestação enviada ao Conselho Superior, Gonet rejeitou qualquer vínculo de proximidade com o empresário. O procurador-geral afirmou que não mantém relação de amizade com Vorcaro nem possui interesse pessoal em processos dos quais ele participe. Também sustentou que seu único encontro presencial com o empresário ocorreu durante um evento jurídico realizado em Londres, em 2024, quando, segundo ele, ainda não havia informações públicas sobre suspeitas envolvendo o banqueiro.
A defesa apresentada por Gonet argumenta ainda que uma breve conversa telefônica atribuída a ele ocorreu por intermédio de terceiros e sem qualquer relação com suas atribuições funcionais. O procurador-geral sustenta que não há elementos capazes de justificar o afastamento de sua atuação nos procedimentos envolvendo Vorcaro ou o Banco Master.
Embora o procedimento não tenha natureza disciplinar e não represente, neste momento, uma investigação formal contra o procurador-geral, a sessão do dia 25 deverá consolidar o posicionamento institucional do Conselho Superior sobre os questionamentos levantados a partir das mensagens apreendidas pela Polícia Federal.





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