Nunes Marques bloqueia Gilmar Mendes após troca de mensagens e amplia clima de tensão no STF
Presidente do TSE rebateu cobranças do colega e encerrou conversa ao alegar falta de respeito

Brasília - Uma discussão privada entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes terminou com o bloqueio do decano da Corte no WhatsApp, aprofundando o ambiente de tensão que tem marcado os bastidores do Judiciário nas últimas semanas. O contratempo ocorreu após uma sequência de mensagens ríspidas trocadas entre os magistrados durante debates relacionados a julgamentos em tramitação no STF.
A divergência teve origem em discussões sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Gilmar Mendes questionou a atuação de Nunes Marques e do ministro Luiz Fux em julgamentos ligados ao caso, além de cobrar que ambos tornassem públicas informações financeiras antes de participarem de determinadas análises.
Gilmar afirmou que os colegas deveriam "abrir as contas" e se afastar dos processos em questão. Nunes Marques reagiu de forma imediata, pedindo respeito ao decano e classificando o tom adotado pelo colega como inadequado. O diálogo se intensificou quando Gilmar passou a questionar a permanência de Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em resposta, o magistrado afirmou que não manteria conversas com quem não o respeitasse. Pouco depois, bloqueou o contato do colega no aplicativo de mensagens, segundo informações confirmadas por pessoas próximas ao ministro.
O episódio ocorre em meio a um cenário de divergências entre integrantes da Corte em processos de grande repercussão política e institucional. As cobranças também envolveram referências a familiares dos ministros citados em investigações e reportagens recentes relacionadas ao chamado caso Master, tema que tem provocado atritos dentro do Supremo.
Durante sessão realizada posteriormente no STF, Nunes Marques voltou a se defender das insinuações feitas contra sua conduta e a de seus familiares, afirmando não ter nada a esconder e reiterando que presta contas regularmente de sua atuação como magistrado.
O desentendimento evidencia a escalada das tensões internas no STF em um momento de forte pressão institucional, com ministros expostos publicamente por divergências que tradicionalmente permaneciam restritas aos bastidores da Corte.





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