Correios acumulam prejuízo bilionário e expõem crise estrutural da estatal
Déficit de R$ 5,4 bilhões no primeiro semestre de 2026 confirma escalada das perdas sob o governo Lula, que já somam mais de R$ 11 bilhões desde 2023

Os Correios registraram um rombo de R$ 5,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo dados preliminares de balanço. O resultado reforça a trajetória de perdas da estatal, que saltaram de R$ 597 milhões em 2023 para R$ 2,6 bilhões em 2024 e atingiram R$ 8,5 bilhões em 2025. A sequência de déficits coloca em xeque a sustentabilidade financeira da empresa pública, que já acumula mais de R$ 11 bilhões em prejuízos nos últimos três anos.
Entre os principais fatores que explicam o resultado estão o aumento expressivo das despesas financeiras, que cresceram 179% e chegaram a R$ 1,6 bilhão no semestre, impulsionadas por empréstimos de R$ 12 bilhões contratados em 2025. As provisões judiciais também pesaram no caixa, somando R$ 1,6 bilhão, alta de 44,5% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, as receitas permaneceram praticamente estáveis, em torno de R$ 8,16 bilhões, sem crescimento capaz de compensar os custos.
O segmento de encomendas internacionais sofreu forte retração, com queda de R$ 815 milhões em 2025 para R$ 355 milhões em 2026, reflexo direto das mudanças tributárias do programa Remessa Conforme. Por outro lado, a área de logística apresentou avanço, passando de R$ 205 milhões para R$ 423 milhões, mas ainda insuficiente para reverter o quadro geral.
A crise dos Correios ocorre em meio à decisão do governo Lula de retirar a estatal do Programa Nacional de Desestatização, encerrando a possibilidade de privatização. Críticas recorrentes apontam para o alto custo de pessoal, a falta de competitividade frente a empresas privadas e o uso político da estrutura da companhia.
O cenário atual contrasta com o desempenho positivo de 2021, quando os Correios registraram lucro de R$ 3,7 bilhões. Hoje, a empresa depende de garantias do Tesouro Nacional para honrar compromissos e enfrenta um debate urgente sobre reformas estruturais ou alternativas de gestão que possam frear a escalada das perdas.





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