Lula amplia gastos em ano eleitoral e já soma R$ 278,3 bilhões em benefícios
Montante inclui subsídios, isenções e programas sociais; economistas alertam para riscos fiscais e tendência de alta até o fim do ano

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já desembolsou R$ 278,3 bilhões em programas e benefícios este ano, ano em que busca a reeleição. O valor, levantado pelo Estadão por meio do Gastômetro — ferramenta que monitora gastos federais em períodos eleitorais — abrange subsídios, isenções fiscais e iniciativas sociais, e deve crescer até dezembro com novas medidas em curso.
Entre as principais ações estão programas como Pé-de-Meia e Gás do Povo, além de isenções no Imposto de Renda para quem ganha até R$ 7 mil mensais. Também entram na conta subsídios a caminhoneiros e motoristas de aplicativo, linhas de crédito habitacional e iniciativas fora do orçamento tradicional, como o Desenrola Brasil, voltado para endividados, e o Luz do Povo, que garante energia gratuita a famílias de baixa renda.
Em discurso no Rio Grande do Norte, Lula criticou as restrições da lei eleitoral, chamando-as de “papagaiada desgraçada”. A legislação impede inaugurações de obras e repasses de emendas durante a campanha, mas não bloqueia a ampliação de programas já existentes. O governo argumenta que os gastos podem gerar impacto positivo na economia, com previsão de R$ 110,9 bilhões adicionais no PIB, criação de 1,9 milhão de empregos e aumento de R$ 45,4 bilhões na arrecadação.
Especialistas, no entanto, alertam para os riscos fiscais. Selene Nunes, coautora da Lei de Responsabilidade Fiscal, afirma que a expansão compromete o espaço fiscal e aumenta o endividamento público. Já Daniel Couri, consultor do Senado, aponta que o governo demonstra falta de convicção em relação a um ajuste estrutural, o que pode agravar a situação em caso de recessão.
Com novas medidas já programadas, como a ampliação da subvenção da gasolina e do diesel, o montante tende a crescer ainda mais nos próximos meses. O cenário reforça o dilema entre políticas de impacto social imediato e a sustentabilidade das contas públicas, tema que deve marcar o debate eleitoral até o fim do ano.





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