Lobista amiga de Lulinha chegou a ostentar voo de “aero Lula”, apontam mensagens
Conversas atribuídas a Roberta Luchsinger indicam proximidade com o núcleo presidencial, incluindo viagens em aeronaves oficiais e presença no Palácio do Planalto

Brasília - Mensagens de WhatsApp atribuídas à empresária e lobista Roberta Luchsinger lançaram novos questionamentos sobre sua relação com o entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os diálogos, revelados pela imprensa nesta semana, mostram que ela relatava com naturalidade viagens em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), visitas ao Palácio do Planalto e contatos frequentes com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Em uma das conversas, datada de março de 2023, Roberta enviou mensagem à própria mãe afirmando que havia viajado para Brasília no “aero Lula”. Ao ser questionada sobre o significado da expressão, respondeu que se tratava do “avião do Lula”. Na sequência, compartilhou uma fotografia feita de dentro do Palácio do Planalto, com vista para o Congresso Nacional. Registros de acesso obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação indicam que ela esteve no prédio dias antes da troca de mensagens.
As conversas também revelam referências a deslocamentos em aeronaves da FAB. Em um áudio enviado a uma assessora do governo da Bahia, em novembro de 2023, Roberta afirmou que viajaria acompanhada de Lulinha e explicou que, por essa razão, não conseguiria prever horários de embarque, já que utilizaria a estrutura da base aérea. Em outra mensagem, enviada a um cliente em fevereiro de 2024, afirmou que retornava de uma viagem internacional em voo da FAB.
Outro conjunto de diálogos reforça a impressão de proximidade com o presidente. Em mensagem enviada em junho de 2025, a empresária informou a uma advogada que estava “na sala do pai do Fábio”, referência que utilizava para se dirigir a Lula. Em diferentes ocasiões, segundo as reportagens, ela se referiu ao chefe do Executivo pelo mesmo apelido.
As revelações ganham peso político porque contrastam com declarações públicas do presidente. Em entrevista concedida à TV Globo em agosto, Lula afirmou que não conhecia Roberta Luchsinger, declarou nunca ter conversado com ela e disse que a empresária jamais esteve próxima dele. As mensagens e registros divulgados posteriormente passaram a ser usadas por críticos do governo como evidências de uma relação mais próxima do que a admitida pelo presidente.
Roberta Luchsinger aparece vinculada a apurações que tramitam no Supremo Tribunal Federal e que envolvem suspeitas de tráfico de influência e relações com empresários investigados. Os elementos revelados pelas mensagens não configuram, por si só, prova de irregularidade, mas ampliam o debate sobre o nível de acesso da empresária a integrantes do círculo mais próximo do presidente da República.
Com a divulgação das conversas, a discussão deixou de girar apenas em torno da amizade de Roberta com Lulinha e passou a alcançar a própria narrativa apresentada pelo Palácio do Planalto sobre a relação da lobista com o presidente.





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