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Lula diz que “sensação” de preços altos está ligada ao aumento do consumo e aos juros elevados

25 de ago.
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Reprodução
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Em entrevista concedida à TV Record no último domingo (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a percepção generalizada de que “tudo está caro” no Brasil não se deve apenas à inflação, mas também ao aumento do consumo e às mudanças nos hábitos de compra. Segundo ele, a popularização das compras digitais, muitas vezes feitas por impulso em valores pequenos, contribui para que famílias gastem mais do que o previsto.


“O mundo do consumo mudou. (…) Hoje, uma mulher, um rapaz, está passando o dedo no celular, e vê propaganda para comprar qualquer coisa, muito barato, R$ 5, R$ 15, R$ 20, e ele vai comprando. Ele não se dá conta que tem que somar aquilo e que, no fim do mês, ele gastou o que não estava previsto – afirmou”, disse.


"Eu não sou contra as pessoas de estar endividada (sic). Eu sou contra as pessoas estarem endividadas por uma dívida que não tem o objetivo de crescimento, da melhoria da qualidade de vida deles ou que não tenha um crescimento do patrimônio da pessoa que fez a dívida, porque a dívida para crescer o patrimônio, ela é boa, é necessária", completou.


Lula ressaltou que não é contra o consumo, mas defendeu que ele seja proporcional à renda. O presidente também criticou a taxa de juros elevada, que encarece o crédito e aumenta o custo final dos produtos, reforçando que esse é um dos principais fatores que pesam no bolso dos brasileiros.


Como resposta ao cenário, Lula defendeu a criação de um programa de educação financeira popular, voltado para ensinar a população a organizar despesas e evitar dívidas desnecessárias. Ele destacou ainda a ideia de “endividamento saudável”, quando o crédito é usado para melhorar a qualidade de vida ou ampliar patrimônio, e não para gastos supérfluos.


A fala, no entanto, gerou críticas. Analistas apontaram que, embora o consumo digital seja uma realidade, a inflação acumulada e os juros altos continuam sendo fatores centrais para o encarecimento da vida cotidiana. Editorialistas destacaram que transferir parte da responsabilidade ao consumidor ignora a dificuldade enfrentada por famílias para arcar com itens básicos como alimentação, energia e aluguel.


Enquanto Lula sugere maior responsabilidade individual nos gastos, especialistas lembram que sem políticas que reduzam custos básicos e crédito caro, a sensação de preços altos permanecerá presente no cotidiano da população.


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