Lula diz que ser lixeiro “não dá orgulho” e fala sobre invisibilidade da profissão
Declaração em evento em Belo Horizonte gera críticas de opositores e reacende debate sobre valorização do trabalho de garis

Durante discurso no encontro “Mulheres com Lula”, realizado em Belo Horizonte no último sábado (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a profissão de lixeiro “não dá orgulho” e a classificou como “coisa pobre”. A fala, segundo ele, buscava chamar atenção para a invisibilidade social enfrentada por trabalhadores da limpeza urbana, que exercem funções essenciais, mas pouco reconhecidas.
“Ninguém tem orgulho de dizer ‘eu sou lixeiro’, mas se eles não existissem, a cidade seria tomada pelo lixo”, disse Lula.
A declaração, no entanto, provocou reação imediata de adversários políticos. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) acusou o presidente de menosprezar os garis e afirmou que “ninguém tem orgulho é de roubar”, defendendo que o trabalho de coleta de lixo é digno e fundamental. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que “pobre não é o trabalho de quem acorda cedo para sustentar a família, pobre é o pensamento de Lula”, reforçando que “trabalho honesto é, sim, motivo de orgulho”.
O contratempo impulsionou o debate sobre a valorização de profissões consideradas “simples” ou “pobres” pela sociedade. Especialistas apontam que, apesar da polêmica, a fala expõe um problema real: a marginalização de trabalhadores que exercem funções fundamentais para o funcionamento das cidades. Parlamentares e lideranças sociais defendem que todas as ocupações devem ser reconhecidas como essenciais, independentemente de status ou prestígio.
O discurso de Lula, ainda que com intenção de provocar reflexão, abriu espaço para críticas políticas e para uma discussão mais ampla sobre o valor do trabalho e o respeito às profissões.





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