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“Eu quero 100 milhões”: mensagens revelam ambições de sócia de Lulinha em esquema investigado pela PF

21 de ago.
2 min de leitura


Relatório aponta indícios de corrupção e tráfico de influência envolvendo Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva


Reprodução: fotomontagem
Reprodução: fotomontagem

Mensagens obtidas pela Polícia Federal no âmbito de uma investigação sobre corrupção e tráfico de influência revelam o tom debochado e a ambição de Roberta Luchsinger, sócia de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Em um dos diálogos, ela afirma: “Eu quero 100 milhões esse ano. Sou modesta”. O relatório descreve a atuação de um núcleo formado por Lulinha, Roberta e Fernando Bittar, que teria buscado vantagens em contratos públicos e acesso privilegiado a autoridades do governo.


Segundo os investigadores, o grupo mantinha uma sociedade informal e utilizava um canal direto com figuras estratégicas da administração federal. Conversas em aplicativos de mensagens mostram que Roberta se apresentava como porta-voz de Lulinha em reuniões com empresários e autoridades, chegando a dizer: “Eu sou o Fábio”. A Polícia Federal identificou ainda o uso de um grupo de WhatsApp chamado “Musaranhos”, onde os três coordenavam suas ações — Lulinha e Bittar eram chamados de “Musos”, enquanto Roberta era a “Musa”.


Entre os episódios destacados no relatório, estão tentativas de influenciar decisões no Ministério da Saúde, incluindo negociações sobre medicamentos à base de canabidiol. Em uma das mensagens, Roberta escreve: “Precisamos 100% do Berger”, em referência a Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo da pasta. Para os investigadores, esse tipo de abordagem caracteriza tráfico de influência e advocacia administrativa.


A Procuradoria-Geral da República (PGR) ponderou que ainda não há elementos suficientes para concluir se as investidas se concretizaram em contratos ou repasses financeiros. Já a defesa de Lulinha afirmou que não teve acesso integral ao inquérito e que qualquer manifestação seria “prematura e irresponsável”.


O caso reacende o debate sobre os limites do lobby no Brasil e expõe novamente figuras ligadas ao entorno do presidente Lula em suspeitas de corrupção. A Polícia Federal trata as descobertas como evidências de um esquema de influência sistêmica, com potencial de movimentar cifras milionárias.



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