Produtora de “Dark Horse” relata pressão para delatar Flávio Bolsonaro e cita empresário, pastor e jornalista
Documento apreendido pela Polícia Federal reúne declaração da empresária Karina Gama, que afirma ter sido procurada por interlocutores interessados em uma eventual delação premiada; citados negam irregularidades

A empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produção do filme Dark Horse, afirmou ter sido alvo de abordagens com o objetivo de convencê-la a firmar um acordo de delação premiada envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL). A alegação consta em um documento apreendido pela Polícia Federal durante a Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10).
Segundo o relato, registrado formalmente pela empresária, ela teria sido procurada por diferentes pessoas, entre elas o empresário Fernando Sarney, um pastor evangélico e um jornalista. Karina sustenta que os contatos ocorreram no contexto das investigações relacionadas ao financiamento e à produção do filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a declaração, Fernando Sarney teria oferecido apoio jurídico e mencionado proximidade com o ministro Flávio Dino. A empresária afirma que, durante a conversa, foi apresentada a possibilidade de uma colaboração premiada. Karina diz ter rejeitado a sugestão, alegando não identificar motivos para aderir a qualquer acordo do tipo e defendendo que os fatos fossem esclarecidos por meio da apresentação de documentos e do exercício do direito de defesa.
O documento, entretanto, não apresenta provas materiais das alegações e se baseia no relato formal da empresária. Conforme publicado por veículos de imprensa, a própria declaração ressalta que as referências à suposta proximidade entre Sarney e o ministro partiram exclusivamente do empresário, sem que Karina afirmasse possuir elementos independentes para comprovar a existência dessa relação.
Após a divulgação do conteúdo, Fernando Sarney negou as acusações. Em entrevista à revista Veja, ele afirmou não conhecer Karina Gama, disse jamais ter mantido contato com a empresária e classificou o relato como sem sentido. Também rejeitou a afirmação de que possua proximidade com Flávio Dino, lembrando que ambos foram adversários políticos no Maranhão.
O episódio veio à tona no mesmo dia em que a Polícia Federal realizou buscas relacionadas à investigação sobre supostos desvios de recursos públicos e possíveis irregularidades envolvendo entidades ligadas à produção de Dark Horse. A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e apura movimentações financeiras, contratos e o uso de recursos oriundos de emendas parlamentares.
Até o momento, não há indicação pública de que as alegações de Karina tenham sido confirmadas pelas autoridades investigadoras. O conteúdo permanece como parte do material recolhido pela Polícia Federal e deverá ser analisado no âmbito das apurações em andamento.





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