Vice-presidente do PT atribui derrota de Benedita ao Senado a estratégia restrita e diz que resultado era “óbvio”
Washington Quaquá critica condução da campanha no Rio de Janeiro e defende alianças mais amplas com partidos de centro após vitória de dois candidatos do PL

A derrota da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) na disputa por uma das vagas ao Senado pelo Rio de Janeiro provocou críticas dentro do próprio Partido dos Trabalhadores. Vice-presidente nacional da legenda e prefeito de Maricá, Washington Quaquá afirmou que o resultado era previsível e atribuiu o revés à estratégia adotada pela campanha da petista.
Benedita terminou a eleição em terceiro lugar, com 20,22% dos votos válidos, ficando atrás dos candidatos do PL Carlos Portinho, eleito com 26,77%, e Carlos Jordy, que obteve 24,56%. Como estavam em disputa duas cadeiras para o Senado, ambos garantiram vaga na Casa a partir de 2027.
Em entrevista repercutida pela imprensa nacional, Quaquá afirmou que a candidata concentrou sua campanha apenas no eleitorado de esquerda e deixou de construir uma aliança mais ampla para ampliar sua competitividade eleitoral.
“A Benedita resolveu fazer uma campanha só de esquerda, só para a esquerda. O PT está desaprendendo que a gente só ganha eleições e governa o país em uma aliança sólida com o centro. A derrota, na minha opinião, era óbvia”, declarou o dirigente.
O dirigente também criticou a composição da chapa, especialmente a escolha dos suplentes. Segundo ele, o partido perdeu a oportunidade de atrair apoio de outras forças políticas ao não incluir representantes de legendas de centro na candidatura. Quaquá defendeu, inclusive, que um nome do PSDB poderia ter contribuído para ampliar a base eleitoral da petista.
As declarações evidenciam divergências internas que já vinham sendo registradas ao longo da campanha. Meses antes da eleição, disputas envolvendo a definição dos suplentes da candidatura de Benedita haviam provocado atritos entre lideranças estaduais e a direção nacional do PT.
Apesar das críticas, Quaquá afirmou que a derrota deixa uma lição para futuras disputas eleitorais. Na avaliação do vice-presidente petista, a esquerda precisa liderar frentes políticas mais abrangentes para aumentar suas chances de vitória. “A grande vocação da esquerda é comandar um bloco que leve o centro junto. Por isso, ela foi derrotada”, opinou.





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