Camisotti delata “Careca do INSS” e admite movimentação de R$ 400 milhões em fraudes contra aposentados

Maurício Camisotti, apontado como operador financeiro de um dos maiores esquemas de fraudes previdenciárias do país, revelou em sua delação premiada o envolvimento de Antônio Camillo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Preso em São Paulo desde setembro de 2025, Camisotti já prestou mais de dez depoimentos à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, detalhando como funcionava a engrenagem que desviou bilhões de reais de aposentados e pensionistas.
Segundo as investigações, o esquema se baseava em descontos fraudulentos aplicados diretamente nos contracheques de beneficiários do INSS, sem autorização das vítimas. Estimativas da CPMI do INSS apontam que entre 2015 e 2025 foram desviados entre R$ 7 bilhões e R$ 10,5 bilhões, atingindo cerca de 10 milhões de pessoas. A operação “Sem Desconto”, deflagrada pela Polícia Federal, revelou que associações e entidades de fachada eram usadas para justificar cobranças inexistentes.
Nos depoimentos, Camisotti admitiu ter movimentado ao menos R$ 400 milhões em operações ilícitas e se comprometeu a devolver esse montante ao erário e às vítimas. O valor supera o lucro direto que teria obtido, estimado em R$ 200 milhões, e inclui correções e penalidades. A delação ainda aguarda homologação pelo Supremo Tribunal Federal, após análise da Procuradoria-Geral da República.
As informações fornecidas pelo delator já resultaram no indiciamento de 54 pessoas, incluindo o “Careca do INSS” e o ex-presidente do instituto, Alessandro Stefanutto. A expectativa é que, com a homologação do acordo, a colaboração de Camisotti ajude a desmantelar definitivamente o núcleo financeiro da fraude e responsabilizar os principais articuladores.
O caso expõe a vulnerabilidade de milhões de aposentados e pensionistas diante de mecanismos pouco transparentes de desconto em benefícios, reforçando a necessidade de maior fiscalização e controle sobre o sistema previdenciário brasileiro.





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