Juiz dos EUA aponta fraude em registro migratório de Filipe Martins
Sete pessoas — quatro americanas e três brasileiras — são investigadas por envolvimento na falsificação que levou à prisão do ex-assessor de Jair Bolsonaro no Brasil

O juiz federal norte-americano Gregory A. Presnell revelou que sete indivíduos estão sob investigação por participação na falsificação do registro migratório atribuído a Filipe Martins nos sistemas dos Estados Unidos. De acordo com o magistrado, quatro cidadãos americanos e três brasileiros teriam atuado na inserção de dados falsos que indicavam a entrada do ex-assessor internacional de Jair Bolsonaro em Orlando, em 30 de dezembro de 2022.
O documento apontado como adulterado foi utilizado como base para a prisão preventiva de Martins em fevereiro de 2024, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto das apurações sobre a tentativa de golpe. A defesa do ex-assessor apresentou provas de que ele estava em território brasileiro na data mencionada, incluindo registros de localização e passagens aéreas domésticas.
Durante audiência na Flórida, Presnell afirmou que o governo norte-americano já reconheceu a falsidade do registro e determinou que a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) entregue documentos internos sem cortes, a fim de identificar quem criou, alterou ou transmitiu a informação. O juiz destacou que Martins “foi preso em decorrência do dado incorreto” e tem o direito de saber quem deu causa ao episódio.
A revelação expõe falhas graves nos sistemas de imigração dos EUA e levanta suspeitas sobre cooperação irregular entre agentes americanos e brasileiros. A apuração sobre os sete envolvidos será decisiva para esclarecer como um documento fraudulento conseguiu influenciar diretamente uma decisão judicial no Brasil, com repercussões tanto nas investigações sobre a trama golpista quanto nas relações entre autoridades dos dois países.





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