Efeito Lula: Empresas brasileiras acumulam R$ 180 bi em dívidas sob recuperação judicial
Recorde histórico expõe fragilidade do crédito corporativo e pressiona setores estratégicos da economia

O Brasil atingiu um marco preocupante em 2026: mais de R$ 180 bilhões em dívidas empresariais estão submetidas a processos de recuperação judicial e extrajudicial, segundo levantamento do Monitor RGF-BIZDOC. O número representa um recorde histórico e revela a dificuldade das companhias em lidar com juros elevados, crédito restrito e a necessidade de refinanciamento para manter suas operações.
Entre os casos mais emblemáticos estão a Braskem, que protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar US$ 10,9 bilhões em dívidas; a Casas Bahia, que entrou em recuperação judicial com R$ 17,3 bilhões em passivos; e o Grupo Gennius, dono das redes Habib’s e Ragazzo, que busca reorganizar R$ 265,2 milhões em débitos envolvendo 178 empresas.
O impacto é sentido em diversos setores. O agronegócio, por exemplo, registrou alta de 66% no número de empresas em recuperação judicial nos últimos 12 meses, reflexo da queda nos preços das commodities e da dificuldade de acesso a crédito. Varejo, construção civil e petroquímica também figuram entre os segmentos mais pressionados.
Especialistas apontam que o chamado “Efeito Lula” tem sido usado por analistas e opositores para associar o recorde ao atual governo. Contudo, economistas ressaltam que a crise é multifatorial: além da política econômica, pesam fatores estruturais como o custo do crédito, a herança da pandemia e a desaceleração global. Ainda assim, o marco de R$ 180 bilhões reforça a percepção de deterioração do ambiente de negócios e coloca em evidência os desafios da gestão econômica no país.
Em meio ao cenário, cresce a busca por alternativas extrajudiciais, consideradas mais rápidas e flexíveis, embora com alcance limitado. Empresas como Raízen, GPA e Oncoclínicas já recorreram a essa modalidade em 2026, tentando evitar os efeitos mais severos da recuperação judicial tradicional.
O recorde expõe a urgência de medidas que aliviem o custo financeiro das companhias e fortaleçam o ambiente de crédito. Sem isso, o risco é de que o número de empresas em colapso continue a crescer, ampliando os efeitos da crise sobre emprego, consumo e investimentos no Brasil.





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