Esquerda articula pedido de impeachment contra Mendonça com base em relatório de Moraes
Aliados de Alcolumbre avaliam usar acusações contra ministro como “contrafogo” no Senado

A crise aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) após a divulgação de relatórios da Polícia Federal por André Mendonça, envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, chegou ao Senado. Parlamentares da esquerda discutem a possibilidade de protocolar um pedido de impeachment contra Mendonça, sustentados nas acusações feitas por Moraes de que o colega teria cometido improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade ao direcionar investigações por motivações políticas.
O movimento é acompanhado de perto por aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que avaliam a iniciativa como uma espécie de “contrafogo” político. A estratégia seria usar o pedido contra Mendonça como resposta institucional às pressões que crescem dentro e fora da Casa para que sejam analisados também os pedidos de afastamento de Moraes, atualmente engavetados.
Nos bastidores, interlocutores de Alcolumbre defendem que o processo contra Mendonça poderia ser conduzido sem partir diretamente da Mesa do Senado, mas por meio de entidades ou juristas, preservando o papel do presidente da Casa como árbitro da crise. A medida, segundo esses aliados, teria o efeito de equilibrar forças e reduzir a temperatura política em meio ao embate entre ministros do STF.
A articulação, no entanto, abre espaço para um cenário de instabilidade institucional. Caso o pedido contra Mendonça avance, cresce a pressão para que o Senado também se debruce sobre os processos contra Moraes, o que poderia desencadear um efeito cascata sem precedentes na história recente da Corte.
O desfecho dependerá da capacidade do Senado de administrar a crise sem aprofundar a divisão entre os ministros e sem comprometer ainda mais a relação entre os Poderes. Enquanto isso, a disputa expõe o STF a uma situação inédita: ministros trocando acusações públicas e o Legislativo sendo chamado a arbitrar conflitos internos da mais alta instância do Judiciário.





Comentários