Greenwald acusa Moraes de agir “sem limites” e relata pressões após reportagens
Jornalista afirma que ministro do STF concentrou poderes e criou ambiente de intimidação contra a imprensa após série de revelações conhecidas como Vaza Toga

O jornalista Glenn Greenwald voltou a criticar duramente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao afirmar que o magistrado “não tem limites” em sua atuação e que concentrou poderes de forma inédita na história recente do Judiciário brasileiro. Em entrevista, Greenwald relatou que sofreu pressões diretas após a publicação da série de reportagens chamada Vaza Toga, divulgada em parceria com a Folha de S.Paulo em 2024, que expôs documentos e conversas internas do gabinete de Moraes.
Segundo Greenwald, o conteúdo revelava como auxiliares do ministro produziam relatórios sobre veículos de comunicação e figuras públicas, levantando questionamentos sobre a independência da Corte. O jornalista disse que, pela primeira vez em sua carreira, hesitou em publicar informações por receio de represálias, já que Moraes teria acumulado poderes capazes de intimidar jornalistas e opositores.
Após a divulgação das reportagens, Greenwald e outros profissionais foram alvo de inquéritos, o que ele interpretou como tentativa de intimidação. O episódio, segundo o jornalista, marca uma mudança de postura em setores da política e da sociedade que antes defendiam a liberdade de imprensa, mas que hoje apoiariam medidas restritivas em nome da estabilidade institucional.
Greenwald comparou o caso à série Vaza Jato, publicada em 2019, quando divulgou mensagens da força-tarefa da Lava Jato. Naquele momento, apesar das críticas, não houve investigações contra jornalistas para identificar fontes. Para ele, a diferença entre os dois episódios mostra como o ambiente democrático se deteriorou, com maior tolerância a ações que limitam a atuação da imprensa.
Greenwald sustenta que o ministro concentra poderes excessivos e que suas decisões criam um clima de intimidação, colocando em risco princípios fundamentais da democracia brasileira.





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