Lobista é alvo de apuração após depósitos a servidores de ministério do governo Lula
Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam transferências para integrantes do Ministério do Desenvolvimento Social antes da assinatura de contratos milionários com empresa ligada à investigada

A Polícia Federal passou a analisar movimentações financeiras atribuídas à empresária e lobista Roberta Luchsinger que teriam beneficiado servidores do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), pasta comandada pelo ministro Wellington Dias. As informações vieram à tona após a apreensão de mensagens e comprovantes de depósitos encontrados no celular da investigada.
De acordo com a investigação, um operador financeiro ligado à empresária teria realizado transferências, em 2023, para contas de integrantes da cúpula do ministério. Entre os destinatários citados nos documentos analisados pela PF estão o secretário-executivo adjunto da pasta, Ranniêr Costa Ciríaco, e o coordenador de cerimonial José Martinho Ferreira de Araújo.
Os investigadores afirmam que as conversas recuperadas mostram orientações para a distribuição de valores em diferentes contas bancárias. Em uma das mensagens, o interlocutor demonstra preocupação com eventuais mecanismos de monitoramento sobre movimentações consideradas atípicas. Os comprovantes das transferências teriam sido encaminhados posteriormente à empresária.
O caso ganhou relevância porque os depósitos ocorreram meses antes de contratos firmados entre o MDS e a empresa 3Structure IT, representada por Luchsinger nas negociações investigadas. Segundo reportagens publicadas pela imprensa nacional, a companhia celebrou acordos milionários com a pasta após vencer processos licitatórios.
A investigação corre sob supervisão do Supremo Tribunal Federal e busca esclarecer se houve atuação indevida na intermediação de negócios entre empresas privadas e órgãos públicos. A Polícia Federal também apura a eventual existência de outras operações financeiras envolvendo pessoas ligadas à administração pública.
A defesa de Roberta Luchsinger afirmou que não comentaria o conteúdo atribuído ao inquérito. Já a defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, declarou que ele não possui relação com os pagamentos investigados e desconhece a natureza das transferências mencionadas nos autos.
Até a publicação das reportagens que revelaram o caso, o Ministério do Desenvolvimento Social não havia se pronunciado sobre os fatos apontados pela investigação.





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