Lula corta pela metade verba do submarino nuclear
Redução de 52% expõe fragilidade no financiamento de projetos estratégicos da Defesa

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva reduziu em 52% o orçamento destinado ao projeto do submarino nuclear da Marinha, considerado um dos empreendimentos mais estratégicos da defesa nacional. Em 2025, o programa havia recebido R$ 615,12 milhões, mas em 2026 o valor caiu para R$ 297,32 milhões, segundo dados oficiais. No último ano da gestão anterior, em 2022, o investimento havia sido de R$ 519,46 milhões.
Durante visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó (SP), onde é desenvolvido o Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene), Lula reconheceu a dificuldade em manter o financiamento contínuo e prometeu “arrumar recursos” para concluir o submarino Álvaro Alberto, o primeiro de propulsão nuclear do país. O presidente ressaltou que o projeto é vital para a soberania nacional, para o avanço tecnológico e para a formação de mão de obra altamente qualificada.
O programa integra o PROSUB (Programa de Submarinos), iniciado em parceria com a França, e já consumiu bilhões de reais ao longo das últimas décadas. A etapa atual prevê testar em terra o sistema de propulsão nuclear antes de sua instalação definitiva no submarino.
Pressão fiscal e cortes na Defesa
A redução ocorre em meio a contingenciamentos impostos pelo governo para equilibrar as contas públicas. Em maio de 2026, o Ministério da Defesa sofreu cortes de R$ 4,36 bilhões, reflexo do aumento das despesas previdenciárias e sociais. Lula justificou que projetos militares competem com áreas prioritárias como saúde e educação, o que dificulta a previsibilidade de investimentos.
Risco de atrasos estratégicos
Especialistas alertam que a irregularidade nos aportes ameaça comprometer o cronograma do submarino nuclear, considerado peça-chave para ampliar a capacidade de dissuasão do Brasil em águas profundas e consolidar o domínio da tecnologia nuclear para fins pacíficos. A Marinha teme que atrasos coloquem em risco décadas de pesquisa e desenvolvimento já realizados.





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