Mensagens revelam atuação conjunta de Moraes e Vorcaro em eventos jurídicos em Londres
Conversas obtidas pela Polícia Federal mostram que o ministro do STF e o banqueiro participaram da organização de fóruns internacionais, com interferência direta na programação e definição de
convidados.

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero revelam que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e o banqueiro Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, atuaram juntos na organização de eventos jurídicos em Londres entre 2024 e 2025. Os diálogos mostram que Moraes interferiu diretamente na programação, vetou nomes de convidados e participou da definição de palestrantes e homenageados.
Em uma das trocas de mensagens, Vorcaro descreveu o encontro como “um evento super exclusivo com Alexandre de Moraes em Londres”. Relatórios da PF apontam que o ministro chegou a vetar a participação de Antônio Rueda, presidente do União Brasil, e reclamou do destaque dado ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na programação. Moraes também teria sugerido a inclusão do ex-presidente Michel Temer e outros políticos na lista de homenageados.
Funcionários de Vorcaro relataram que passaram “o dia com Vivi Moraes e o ministro fechando o programa do evento”, ajustando painéis e palestrantes. Além disso, mensagens indicam que Moraes pediu alterações em notícias relacionadas ao fórum e criticou a desorganização da equipe responsável.
A estrutura do evento em Londres incluía logística de luxo, com transporte em carros Mercedes-Benz Classe S para ministros considerados “mais sensíveis”, como Moraes e Dias Toffoli, enquanto outros convidados VIP seriam acomodados em vans executivas.
O relatório da PF, encaminhado ao STF pelo ministro André Mendonça, retirou o sigilo das mensagens, o que gerou atritos internos na Corte. Moraes criticou a condução do processo e questionou a divulgação dos diálogos. As revelações reforçam a proximidade entre o ministro e o banqueiro, levantando debates sobre a participação de magistrados em iniciativas privadas e o impacto dessas relações na credibilidade institucional do Supremo.
As investigações seguem em curso e novos desdobramentos podem surgir nos próximos meses, ampliando a repercussão política e jurídica do caso.





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