Vorcaro antecipou viagem após encontro com Moraes, aponta investigação da PF
Ex-banqueiro teria se reunido com ministro do STF em Brasília no domingo; operação previa prisão na segunda-feira em Guarulhos

A investigação da Polícia Federal sobre o chamado Caso Master trouxe novos elementos que reforçam a suspeita de tentativa de fuga por parte do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Documentos anexados ao inquérito e divulgados pelo Supremo Tribunal Federal revelam que Vorcaro se reuniu em Brasília com o ministro Alexandre de Moraes no domingo, 16 de novembro de 2025. No dia seguinte, segunda-feira, estava prevista sua prisão no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar para o exterior.
Mensagens recuperadas pela PF mostram que Vorcaro questionou Moraes sobre a necessidade de “já estar fora” do país, o que os investigadores interpretam como indício de que o encontro teria servido de alerta sobre a operação. O relatório também aponta que o ex-banqueiro antecipou sua viagem internacional justamente após a reunião, levantando dúvidas sobre possível interferência no cumprimento da ordem judicial.
Os autos revelam ainda que Vorcaro e Moraes mantiveram oito encontros confirmados entre 2024 e 2025, incluindo jantares privados e viagens internacionais. A PF identificou ainda contratos milionários e benefícios oferecidos pelo empresário ao ministro e sua família, como viagens de luxo e cotas de aeronaves, envolvendo inclusive o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes.
O Caso Master investiga um esquema de fraude financeira que teria inflado artificialmente o valor do Banco Master para atrair investidores. Vorcaro é apontado como articulador central, acusado de lavagem de dinheiro, destruição de provas e tentativa de influenciar autoridades. A proximidade com Moraes, revelada pelas mensagens e encontros, adiciona uma nova camada de complexidade ao processo, que segue em análise no STF.
Benefícios oferecidos por Vorcaro a Moraes
A Polícia Federal identificou que Daniel Vorcaro ofereceu uma série de benefícios milionários e experiências de luxo ao ministro Alexandre de Moraes e sua família. Entre os principais pontos levantados pela investigação estão contratos advocatícios de valores elevados, cotas de aeronaves e viagens internacionais custeadas pelo ex-banqueiro.
Um dos contratos firmados envolveu o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, com previsão de pagamentos mensais de R$ 3 milhões líquidos por 36 meses, totalizando cerca de R$ 130 milhões. Outro acordo previa até R$ 50 milhões em honorários pagos por meio de cotas de jato e helicóptero avaliados em aproximadamente R$ 40 milhões, além de R$ 10 milhões destinados às despesas de uso das aeronaves.
As investigações também apontam que Vorcaro custeou viagens internacionais, como a ida de Moraes a Londres em abril de 2024 para participar do Fórum Jurídico Brasil de Ideias, evento patrocinado pelo Banco Master. Além disso, foram registradas experiências de luxo em território nacional, como hospedagem em hotel de alto padrão em Campos do Jordão, com direito a chef particular, passeios exclusivos e atendimento personalizado.
Esses benefícios, segundo a PF, estavam vinculados às relações financeiras entre empresas de Vorcaro e o escritório da esposa de Moraes. Documentos analisados mostram inclusive o nome “Ministro Alexandre de Moraes” nos metadados de minutas contratuais, sugerindo que ele teria editado versões dos acordos. Embora os investigadores ressaltem que os metadados não confirmam quem operava o computador, consideram o registro relevante para compreender a proximidade entre as partes.
O conjunto de evidências reforça a suspeita de que Vorcaro buscava influência política e proteção judicial em meio às investigações sobre o Banco Master. O caso segue em análise no Supremo Tribunal Federal, com pedidos de afastamento de Moraes já apresentados por ministros como André Mendonça.





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