Alcolumbre evita comentar mensagens entre Moraes e Vorcaro e aponta “anormalidade” em 109 pedidos de impeachment

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta semana que não cabe a ele avaliar as mensagens reveladas pela Polícia Federal envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por crimes financeiros. Questionado sobre o conteúdo das conversas, Alcolumbre foi categórico: “Não achei nada, não devo achar nada”.
A declaração ocorre em meio à pressão de parlamentares da oposição, que intensificaram os pedidos de impeachment contra Moraes após a divulgação do relatório da PF. Segundo Alcolumbre, o Senado já acumula 109 solicitações de afastamento de ministros do STF, número que ele classificou como “anormal” e preocupante para a estabilidade institucional.
Apesar da cobrança de nomes como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Carlos Viana (Podemos-MG), que protocolaram novos requerimentos, Alcolumbre não sinalizou disposição em dar andamento aos processos. Ele reforçou que a decisão de admitir ou arquivar pedidos cabe ao Senado, mas evitou qualquer posicionamento sobre o mérito das acusações.
A Constituição estabelece que apenas o Senado pode processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade, mas a prática mostra que o filtro político exercido pela presidência da Casa é determinante para barrar ou avançar com tais iniciativas. A postura de Alcolumbre, vista como tentativa de preservar a relação com o Judiciário e o governo federal, evidencia o impasse entre os Poderes diante da escalada de tensões provocada pelas mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro.
Com isso, o cenário permanece indefinido: enquanto a oposição pressionar, o presidente do Senado mantém a linha de não se envolver diretamente no conteúdo das denúncias, limitando-se a reconhecer a excepcionalidade do número de pedidos de impeachment acumulados contra ministros do Supremo.





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