Folha pede renúncia de Moraes após revelações da PF
Editorial afirma que situação do ministro do STF tornou-se “insustentável” e pressiona Senado a avaliar impeachment

Em editorial publicado nesta semana, a Folha de S.Paulo defendeu a renúncia do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), após novas revelações da Polícia Federal sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O jornal classificou a permanência do magistrado como “insustentável” e afirmou que, caso não haja renúncia voluntária, caberá ao Senado avaliar os pedidos de impeachment já protocolados contra ele.
As investigações da PF apontaram contratos milionários entre o Banco Master e o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, além de mensagens trocadas entre o ministro e Vorcaro em aplicativos com função de autodestruição. Segundo os documentos, Moraes teria participado da edição de uma minuta de contrato de R$ 131 milhões e recebido consultas do banqueiro sobre a possibilidade de deixar o país antes de sua prisão. Vorcaro chegou a afirmar que tinha “uma dívida de vida” com o ministro e sua família.
O editorial da Folha, intitulado “A Moraes cabe a renúncia”, sustenta que as revelações “sepultam qualquer incerteza” sobre a incompatibilidade do magistrado com o cargo. O texto também critica a atuação da Procuradoria-Geral da República, que pediu a nulidade do relatório da PF, apontando “afinidades” com o Banco Master.
A pressão não se limita ao jornal paulista. Outros veículos, como Estadão e Gazeta do Povo, também defenderam a saída de Moraes, enquanto O Globo pediu explicações urgentes, sem exigir a renúncia imediata. No Senado, cresce a cobrança para que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), paute os pedidos de impeachment contra ministros do STF, que já somam mais de uma centena.
Para a Folha, a saída voluntária seria “a atitude mais digna e rápida” para preservar a imagem da Corte. Caso contrário, o jornal afirma que o Senado deve assumir a responsabilidade de “livrar o Supremo desse fardo”, conduzindo o processo de impeachment com garantia de presunção de inocência e devido processo legal.
O editorial marca um ponto de inflexão na crise institucional, ampliando a pressão sobre Alexandre de Moraes e colocando o futuro do ministro nas mãos do Senado.





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