Desembargador votou em caso de interesse do Banco Master antes de contrato milionário beneficiar familiares
Acordo firmado com escritório ligado à esposa e ao filho do magistrado poderia render até R$ 427 milhões em honorários, segundo documentos revelados pela imprensa

O desembargador Newton Pereira Ramos Neto, integrante do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), passou a ser alvo de questionamentos após a divulgação de informações que apontam uma sequência de fatos envolvendo decisões judiciais favoráveis a interesses relacionados ao Banco Master e, posteriormente, a celebração de um contrato milionário com familiares do magistrado.
De acordo com reportagens publicadas por veículos da imprensa nacional, Newton Ramos participou de ao menos dois julgamentos, em 2024, que resultaram em decisões favoráveis à Usina Cansanção de Sinimbu, empresa que atuava em conjunto com o Banco Master em uma disputa judicial contra a União. As deliberações ocorreram no âmbito da 11ª Turma do TRF-1 e mantiveram entendimentos considerados benéficos aos interesses econômicos ligados ao banco.
Cerca de seis meses após o segundo julgamento, a advogada Camilla Rose Ewerton Ferro Ramos, esposa do desembargador, e Gabriel Ribeiro Gonçalves Ramos, filho do magistrado, receberam procurações relacionadas a um contrato firmado com o Banco Master. O acordo previa honorários de êxito que poderiam alcançar R$ 427 milhões em ações judiciais avaliadas em aproximadamente R$ 8,5 bilhões.
As revelações levaram à apresentação de uma reclamação disciplinar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pedindo a apuração da atuação do desembargador e a existência de eventual conflito de interesses. O pedido sustenta que a proximidade temporal entre as decisões judiciais e a contratação do escritório vinculado à família do magistrado merece investigação pelos órgãos competentes.
Em manifestações divulgadas pela imprensa, Newton Ramos afirmou que os julgamentos ocorreram de forma colegiada e unânime, ressaltando que as decisões foram tomadas no âmbito da turma julgadora. O magistrado também alegou que, à época dos julgamentos, não havia indicação formal nos autos sobre interesse do Banco Master nos processos analisados.
O escritório ligado à esposa do desembargador declarou manter contrato regular com o Banco Master e informou que, até o momento, não teria recebido valores referentes ao acordo. A banca sustentou que sua atuação ocorreu dentro das prerrogativas legais da advocacia.
O caso amplia a pressão sobre personagens ligados às operações do Banco Master e deve permanecer sob acompanhamento de autoridades judiciais e órgãos de controle, diante das suspeitas levantadas e da repercussão nacional do episódio.





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