Mendonça reage a Gilmar Mendes e vê “tentativa de constranger” atuação de ministros no STF
Nota divulgada pelo gabinete do ministro amplia crise interna na Corte após novas críticas de Gilmar em redes sociais e em ofício encaminhado a Luiz Fux sobre o afastamento de Andrei Rodrigues

Brasília - A troca de críticas entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (17). O ministro André Mendonça divulgou uma nota pública em resposta às manifestações de Gilmar Mendes, acusando o decano da Corte de promover uma "tentativa de constranger o julgador" em meio às divergências sobre a condução de processos analisados pelo tribunal.
A reação ocorreu após Gilmar voltar a se manifestar publicamente sobre o caso, tanto em publicação nas redes sociais quanto em ofício enviado ao ministro Luiz Fux. No documento, o decano questiona a tramitação do processo relacionado ao afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e levanta suspeitas sobre a forma como o tema foi levado à análise da Segunda Turma do STF.
Na nota, Mendonça rebateu as acusações e afirmou que jamais utilizou ameaças ou linguagem inadequada durante os debates no Supremo. Sem citar diretamente Gilmar Mendes, declarou que o plenário não pode ser transformado em "palanque ou picadeiro" e sustentou que divergências são naturais em órgãos colegiados, mas que qualquer tentativa de pressionar magistrados ultrapassa os limites do debate institucional.
O ministro também negou ter promovido vazamentos seletivos de informações relacionadas ao chamado Caso Master. Segundo sua versão, a decisão de levantar o sigilo de determinados documentos ocorreu dentro dos limites legais e não partiu de uma iniciativa para expor investigados ou autoridades citadas nos autos. Mendonça ressaltou ainda que determinou a apuração de eventuais divulgações indevidas ocorridas durante a investigação.
Mais cedo, Gilmar Mendes havia intensificado as críticas ao colega ao sugerir que a divulgação de informações envolvendo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, teria motivações político-eleitorais. Em mensagem publicada na rede X, o decano afirmou que a exposição pública de fatos que não indicariam irregularidades acabou atingindo reputações sem justificativa jurídica suficiente.
Em sua manifestação, Mendonça também voltou a defender a criação de um código de ética específico para os ministros do STF, argumentando que regras mais claras de conduta poderiam contribuir para preservar a imagem institucional do tribunal e reforçar a confiança da população no Judiciário.





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