Mendonça avalia incluir Moraes em inquérito do caso Master após avanço da PF
Relatório da Polícia Federal aponta mensagens entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro; PGR terá cinco dias para se manifestar antes de decisão do STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu a possibilidade de incluir o colega Alexandre de Moraes no inquérito que investiga o caso Banco Master. A medida ocorre após relatório da Polícia Federal identificar mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por irregularidades financeiras e tentativas de influenciar órgãos de controle.
Segundo o documento, Vorcaro utilizava um método de comunicação que dificultava o rastreamento: escrevia mensagens em bloco de notas, tirava prints e enviava via WhatsApp como mensagens de visualização única. Moraes teria respondido da mesma forma. Nos diálogos, o banqueiro pedia ajuda para evitar medidas da PF, do Ministério Público Federal e do Banco Central, citando autoridades como Gabriel Galípolo (presidente do BC), Andrei Rodrigues (diretor-geral da PF) e Paulo Gonet (procurador-geral da República).
Mendonça, relator do inquérito, determinou que a PF identificasse o interlocutor das mensagens e, após a confirmação de que se tratava de Moraes, retirou o sigilo do relatório, expondo detalhes da relação entre o magistrado e Vorcaro. O documento também menciona contratos milionários negociados pelo escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes.
A Procuradoria-Geral da República foi acionada e terá cinco dias para se manifestar antes que Mendonça decida sobre a inclusão de Moraes no inquérito. O ministro sinalizou que o caso pode ser levado ao plenário do STF, em julgamento público, para garantir transparência.
A possibilidade de investigar um ministro em exercício gera tensão dentro da Corte e amplia a pressão institucional. O episódio expõe potenciais vínculos de integrantes do Supremo com o sistema financeiro e levanta questionamentos sobre a atuação da própria Corte em casos que envolvem seus membros.
A decisão de Mendonça de retirar o sigilo e acionar a PGR indica que o processo será conduzido de forma pública, aumentando a expectativa sobre os próximos passos da investigação.





Comentários