Dino retira sigilo e expõe investigações que atingem adversários políticos no Maranhão
Decisão do ministro do STF revela suspeitas de corrupção, homicídio e obstrução de Justiça envolvendo aliados do governador Carlos Brandão e amplia crise política no estado

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, tornou públicas decisões que revelam o avanço de inquéritos da Polícia Federal sobre um suposto esquema de corrupção no Maranhão. A medida, anunciada em 14 de agosto, retirou o sigilo de três processos que investigam fraudes em licitações, desvios de emendas parlamentares e até homicídio ligado a disputas por contratos públicos.
Entre os alvos das apurações estão políticos, empresários e autoridades ligadas ao governador Carlos Brandão (MDB). Um dos casos mais graves envolve o assassinato de um empresário em 2022, apontado pela PF como consequência de conflitos relacionados ao pagamento de propinas. As investigações também identificaram desvios que ultrapassam R$ 14 milhões em contratos públicos e revelaram tentativas de obstrução de Justiça, incluindo a atuação de um agente da Polícia Federal afastado por repassar informações sigilosas e pressionar familiares de investigados.
O senador Weverton Rocha (PDT-MA), adversário político de Dino, aparece nas investigações por supostamente tentar influenciar decisões no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em favor de aliados do governador. O presidente do Tribunal de Contas do Estado, Daniel Brandão, sobrinho do governador, também é citado em diálogos e reuniões relacionados ao esquema.
A decisão de Dino provocou reação imediata do governador Carlos Brandão, que questionou a competência do STF para julgar casos envolvendo governadores, defendendo que o foro adequado seria o STJ. Dino, por sua vez, justificou a medida afirmando que há no Maranhão um “ecossistema empresarial criminoso” voltado ao desvio de recursos públicos.
A divulgação dos documentos intensifica a crise política no estado, colocando Dino em confronto direto com seus antigos desafetos e abrindo espaço para novos desdobramentos judiciais. O caso, que mistura corrupção, homicídio e obstrução de Justiça, promete repercussões tanto no STJ quanto no STF, com possibilidade de novas denúncias e afastamentos de autoridades.





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