Moraes e Alcolumbre se reúnem por três horas antes de ofensiva contra Mendonça
Reunião reservada antecedeu ofensiva contra Mendonça e expôs bastidores de tensão institucional

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), esteve reunido por cerca de três horas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em sua casa no Lago Sul, em Brasília, na última quarta-feira (02). A informação foi revelada pelo jornal O Globo e ganhou relevância diante do contexto de crise que atravessa a Corte.
O encontro ocorreu pouco antes de Moraes deflagrar uma ofensiva contra o colega André Mendonça, que havia solicitado ao presidente do STF, Edson Fachin, a análise em plenário da abertura de uma investigação contra Moraes. O pedido de Mendonça se baseava em supostas relações consideradas “nada republicanas” entre o magistrado e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Coincidentemente, o nome de Alcolumbre aparece nos chamados “relatórios de inteligência” clandestinos da Polícia Federal, utilizados por Moraes em sua decisão contra Mendonça. Os documentos, de caráter apócrifo e sem provas concretas, apontavam o senador como um dos “prováveis alvos” de direcionamento das investigações conduzidas por Mendonça. Apesar de alertarem que “qualquer uso externo” seria prematuro, os relatórios serviram de base para que Moraes pedisse a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news, sob a acusação de direcionamento de investigações e outros crimes.
A reunião entre Moraes e Alcolumbre, portanto, não apenas antecedeu a ofensiva contra Mendonça, como se insere em um cenário de tensão institucional marcado por disputas internas no Supremo e articulações políticas no Congresso. Juristas e parlamentares avaliam que o episódio reforça a percepção de alinhamentos estratégicos entre lideranças do Judiciário e do Legislativo, em meio a uma crise que expõe fragilidades na relação entre ministros da Corte.





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